PESSOAS INSPIRADORAS - WALLY WILDE

A pessoa inspiradora de hoje é ele, Wally Wilde

Artista, escritor, ator, completo transformador de almas. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e de não só ler seus textos na internet, mas seu livro físico "Versos cravados na pele", o qual inclusive resenhei (clique aqui para ler). Dentro dele (do autor e do livro) há arte e beleza, refletida na pele e no papel. Conheça mais sobre Wally, se encante e se inspire.


1)  Se você tivesse que escolher de 1 a 3 livros que mudaram a sua vida, aqueles que você não vive sem, que daria de presente sempre que pudesse, quais seriam?
Eu sempre achei dificílimas essas perguntas onde se deve eleger qual o livro mais marcante, o melhor filme ou a trilha sonora da sua vida. Eu não tenho estômago para cometer a injustiça de deixar alguma obra genial de fora de uma lista dessas, hahahah. Mas para não deixar a pergunta sem uma resposta decente, existe um livro que considero muito importante na minha vida, porque seja talvez ele o responsável por uma certa rebeldia em mim e, minha rebeldia é mãe de quase tudo o que faço hoje.
Eu li "O apanhador no campo de centeio", do escritor J.D Salinger, pela primeira vez quando eu devia ter uns 14/15 anos e nada na minha vida me deu tanto prazer como o sarcasmo e ironia que havia nas falas do Caulfield, o personagem principal. Você pode ver claramente uma sombra daquele carinha em quase tudo que faço hoje. Não é um grande livro com uma história complexa nem um plote genial, mas ele tinha alma e essa alma me pegou. Ao longo dos anos ganhei e perdi algumas edições dele, mas tenho sempre uma na minha estante.

2) Qual foi o ensinamento/crença/aprendizado que mais mudou sua vida nos últimos anos?
Não existe livro, deus ou pessoa que te ensine mais na vida do que as roubadas em que você se mete. Eu sinto que venho aprendendo muito dessa maneira durante toda a vida, hahaha. Acontece que a autocrítica é uma excelente maneira de conseguir algumas respostas. A gente pode e deve beber de várias fontes, mas as coisas que a gente vive, os erros, os acertos, as vitórias e os fracassos, nada vai te ensinar verdadeiramente alguma coisa como essas passagens.

3) Quando e como você soube o que queria fazer da vida? Quando descobriu seu propósito?
Gostaria de ter em mim essa sensação de tê-lo realmente descoberto. hahaha. Eu soube que precisaria me meter com as artes logo nos primeiros contatos que tive com elas.
Desde criança quando eu ouvia bandas como a Legião Urbana e ficava fingindo ser o Renato em entrevistas para a MTV, até quando vi minha primeira peça de teatro na escola e saí de lá em prantos. 
Eu me formei em Artes Cênicas e tenho uma paixão descomunal pelo teatro, mas durante o percurso me apaixonei também pela escrita, pelas artes plásticas, pela música sempre fui, mas essa desde muito cedo percebi que não levaria jeito, haha. Nessa brincadeira trabalhei como ator por anos, fui tatuador, pintei diversos quadros estranhos que ainda tenho espalhados pela casa, hoje estou aqui escrevendo histórias e poemas. Entende o que quero dizer? 
Eu não acho que eu tenha descoberto meu propósito. Acho que esse é o tipo de coisa que a gente nunca descobre.


4) Como é seu processo criativo (ou de trabalho)? Você é metódico com o que faz, ou deixa as coisas fluírem espontaneamente?
Eu não tenho nenhum tipo de processo, pelo menos não essas coisas de uma hora para sentar e escrever ou um ritual que eu cumpra antes. As ideias me vem ao longo do dia e na hora em que aparecem eu trabalho nelas. Se por algum motivo não posso me dedicar aquilo no momento, eu anoto a ideia em um caderninho que carrego sempre ou no bloco de notas do celular e à noite sento e penso um pouco naquilo. Eu até gostaria de ter algum método desses, acho que se produz bem mais e se evita as crises de criatividade assim, mas ainda não consigo seguir a risca nenhum. Talvez os métodos me venham com a maturidade.

5) Quando você está exaurido/sem foco/sem inspiração, o que você faz?
Não faço nada! Acho de uma violência tremenda me forçar a produzir. Hoje tenho consciência de que isso se tornou um trabalho, mas todo ofício tem o seu tempo.
Se eu começo a produzir algo e as ideias me faltam, eu largo, vou ler um livro, jogar videogame, assistir um filme ou qualquer coisa até que eu consiga voltar. Mas às vezes não dá mesmo, tenho nos meus cadernos diversos textos interminados, talvez um dia eu os releia e saiba o que fazer com eles ou talvez fiquem para sempre assim.
A falta de inspiração é algo corriqueiro pra quem cria e é preciso ter uma boa relação com ela.


6) Quais (ou quem) são suas maiores influências/inspirações?
Essa já é mais fácil de responder sem parecer que estou sendo injusto com alguém, haha. Porque apesar de carregar paixão por diversos artistas, acho nítidas as minhas influências. Eu tenho algo que muito carinhosamente chamo de Tétrade Maldita, que são os quatro escritores que mais sinto que se aproximam de uma linguagem que busco. 
Sendo eles: Charles Bukowski, Pedro Juan Gutierrez, Chuck Palahniuk e Lourenço Mutarelli. Os quatro pelo motivo de cada qual ter a sua tão particular maneira, retratar em suas obras uma realidade crua, sem bordados ou floreios e claro, quase nunca agradável e bonita. Não é que sejam pessimistas (o Chuck e o Bukowski um tanto talvez), mas há algo no lado escuro da vida que quase nunca a gente quer escancarar. Eu gosto disso, gosto da provocação, gosto do que incomoda. É mais ou menos como o que eu disse lá em cima, a autocrítica, a gente precisa antes se enxergar, saber do que se é capaz e depois então começar a pensar em aperfeiçoar.

7) Qual foi o processo de criação de seu livro? O que você tira de positivo e de negativo dessa experiência?
Foi um processo delicioso e ao mesmo tempo dificílimo. Primeiro eu sofri porque me propuseram fazer o livro e eu não encontrava um tema para isso. Depois a ideia de fazê-lo sobre as tattoos me veio como um tiro e eu me diverti à beça com isso. Mas daí começam a surgir todas as dúvidas, acho que publicar um livro deve ser algo muito semelhante a gerar um filho (espero não estar dizendo nenhuma estupidez com isso). 
Primeiro você não sabe se deve mesmo entrar nisso, daí você começa e já não dá mais pra sair. Então você fica com medo de não conseguir fazê-lo ser bom e quando termina, fica com medo de que não o recebam como você acha que merece. Hahaha. Você sofre de algum jeito do início ao fim, mas quando você está ali deitado e alguém entra no seu quarto com uma caixa na mão dizendo que a primeira impressão ficou pronta, você chora e ama aquilo como se fosse a mais nova maravilha do mundo. 
Eu jamais imaginei que um dia publicaria um livro, escrevo desde criança, mas nunca pensei nisso. Umas das coisas que se aprende numa reviravolta dessa é que no fim das contas a gente é capaz de fazer o que a gente quiser.

8) Quais seus próximos projetos?
Começar a ganhar algum dinheiro com isso tudo! Hahahah. Brincadeira! Hoje eu tenho um projeto coletivo com alguns amigos, a Casa Vulgar, que é algo que me permite muito me reaproximar do teatro. A gente já tem dois espetáculos e eu quero levar isso para frente. 
Estou trabalhando no meu segundo livro e para esse quero tentar realizar algo mais próximo do segmento que gosto muito que são os contos.
Uma amiga me encomendou uma peça de teatro também e talvez isso me leve de volta para o palco. São planos e mais planos, não sei quantos deles se concretizarão. Mas vão servir pra me manter correndo atrás de alguma coisa e isso por si só já é algo.


9) Se você tivesse que deixar uma mensagem para quem está lendo, qual seria?
Não leve muito a sério e nem tome como grande verdade nada do que eu disse aqui e nem que ninguém diga em lugar nenhum. O segredo é duvidar de tudo, inclusive disso também! Se ouça muito mais, a gente sabe de nós melhor do que ninguém.

Wally, muito obrigada pela entrevista e gentileza. Adorei! Espero que você tenha se inspirado tanto quanto eu leitor!
Para saber mais do Wally, e acompanhar seu projetos:

Aguarde, em breve mais pessoas inspiradoras! Aproveite e leia as entrevistas que ainda não leu, tenho certeza que irão inspirá-lo! Obrigada a todos os entrevistados e leitores. Boas leituras!

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