PESSOAS INSPIRADORAS - IGOR CALAZANS

Hoje tenho a honra de compartilhar com vocês um pouco do Igor Calazans, um poeta sensível, que é pura poesia. Igor já lançou três livros, e eu tive o privilégio de ler o último, "como a água que bebo", um livro que cada página, cada poesia, nos enche os olhos e a alma.

"Sobre o Amor

Por mais que amar doa, 

não nasci para amadores.

Amores vêm e vão,

mas nunca vêm em vão."

Muito obrigada pela linda entrevista Igor, e pelas trocas de sempre. Conte sempre comigo e vamos juntos, suas palavras são luz!!



Segue a entrevista, e ao final, os canais onde encontrá-lo :)


1)  Se você tivesse que escolher de 1 a 3 livros que mudaram a sua vida, aqueles que você não vive sem, que daria de presente sempre que pudesse, quais seriam?

R: Dentre tantos e tantos livros que mudaram a minha forma de ler, apreciar o hábito da leitura e influenciar no meu jeito de escrever, posso destacar os clássicos "Crime e Castigo", de Dostoiévski, "Memórias Póstumas de Brás Cubas", do Machado de Assis, e, em relação à poesia, "Eu", de Augusto dos Anjos. Gosto da visão existencialista, da busca inquieta pela raiz dos nossos sentimentos inatos e que na maioria das vezes parecem monstros indizíveis. Amo ser instigado intelectualmente e essas obras fazem isso magistralmente. Por isso são atemporais. 

2) Qual foi o ensinamento/crença/aprendizado que mais mudou sua vida nos últimos anos?

R: Aprendi que nem tudo está sob nosso controle e que podemos falhar. Eu sempre me cobrei muito, sempre achava que conseguiria encontrar uma solução para qualquer adversidade, mas a vida foi apresentando situações impossíveis de segurar sozinho. A expressão poética, por exemplo, foi um início importante para admitir limites, compartilhar inquietações e sensações, que me façam pensar mais e entender a minhas próprias formas de ser.

3) Quando e como você soube o que queria fazer da vida? Quando descobriu seu propósito?


R: Como jornalista, desde os oito anos eu decidi a minha profissão. Lia jornais de cabo a rabo diariamente, escutava programas de rádio e televisão. Eu era muitíssimo bem informado e com uma cultura acima da média para a minha idade. Essa trajetória começou de fato aos 18 anos, quando passei a viver o pulsar de uma redação. Foi incrível e vi que ali realmente era o meu lugar. Em relação à literatura, carrego da família o DNA da escrita. Meu avó foi um grande poeta e romancista e com ele aprendi o gosto das palavras e as possibilidades de pensar diferente daquilo que todo mundo vê, instigando dois sentidos: memória e a imaginação. Por isso desde pequeno escrevo e esse caminho foi ganhando corpo, tornando-se natural em minha vida.


4) Como é seu processo criativo (ou de trabalho)? Você é metódico com o que faz, ou deixa as coisas fluírem espontaneamente?


R: É de suma importância termos métodos de trabalho. A inspiração e o talento de escrever não são nada se você não tiver um mínimo de organização, não exercitar bastante, e elaborar formas próprias de aprimorar as ideias que chegam naturalmente. Eu procuro construir certos hábitos para não perder nenhuma inspiração. Gosto do silêncio, prefiro escrever à noite, tomar uma xícara de café... Às vezes, para buscar alguma inspiração eu ouço música, leio um poema. Também escrevo muitas coisas e deixo guardado. Depois de um tempo, sei que alguma outra ideia vem e que comporá perfeitamente aquilo que tinha pensado antes. Nossa cabeça gira e gira o tempo todo, as ideias vão e vêm, pairam, e a diferença de quem se organiza está na qualidade do texto e na reunião reflexiva desses momentos.  

5) Quando você está exaurido/sem foco/sem inspiração, o que você faz?

R: Já me preocupei mais com a falta de inspiração. Com o tempo percebi que é um "mal necessário". Nem tudo que pensamos é sensacional. Às vezes precisamos desacelerar para não cair na mesmice dos pensamentos. Quando noto que estou sem gana de escrever, eu leio mais ainda, estudo bastante, procuro filmes, músicas novas. Um novo olhar é sempre uma boa alternativa.   


6) Quais (ou quem) são suas maiores influências/inspirações?

R: Junto com o meu avô, a minha primeira referência na literatura foi o poeta Manuel Bandeira. Fiquei apaixonada pela forma melódica e rimas sutis de alguns de seus poemas. Isso levou-me a buscar referências parnasianas. Os sonetistas, como Raul de Leoni, Guilherme de Almeida e Olavo Bilac, me impressionavam pela precisão e abrangência das palavras, mesmo em métricas rigorosas e formais. Depois soltei-me aos versos livres e ampliei as minhas referências. Se pudesse destacar alguém que hoje está muito presente em minhas inspirações, diria o poeta uruguaio Mario Benedetti. Tem um escritor inglês chamado Julian Barnes que também acho genial. Ele consegue construir profundas reflexões filosóficas de uma maneira simples e sedutora. 

7) Qual foi o processo de criação de seus livros? O que você tira de positivo e de negativo dessas experiências?

R: Dos três livros que publiquei até o momento, eles meio que se misturam em suas formas de criação. No primeiro, no entanto, acho que dá para notar uma inspiração maior nos autores clássicos, nas construções métricas. No segundo, acho que consegui equilibrar isso, dando voz também a poemas sem tanta rima, mais preocupado com o valor das palavras, mesmo que fugissem da formalidade estética. Nesse terceiro, eu libertei bastante os pensamentos da minha poesia, demonstrando uma maior identidade de escrita. Essa procura muito se dá porque acho que o poeta precisa reinventar-se o tempo todo para não cair na mesmice de temas, palavras e reflexões. Eu tenho medo da mesmice. É o ponto negativo para qualquer pessoa que se propõe a pensar fora da caixa.

8) Quais seus próximos projetos?

R: Desde o final do ano passado, comecei um projeto chamado "Vespeiro Poético" que busca, através das mais diversas atividades, ampliar a cena literária no Rio de Janeiro. É um movimento que também reúne ações sociais voltadas ao público com pouco acesso à leitura. Penso em ampliar esse projeto e fazer apresentações em escolas públicas, comunidades, ruas e praças, além de cidades do interior. Também sou criador do site www.RecantodoPoeta.com. Quero fazer desse portal uma referência literária no Brasil. Hoje temos um acervo importante de quase 200 poetas, com biografias e entrevistas exclusivas, além de mais de mil poemas cadastrados. Quero buscar boas parcerias para ampliar esse trabalho. 

9) Se você tivesse que deixar uma mensagem para quem está lendo, qual seria?

R: Eu li recentemente uma frase que diz: "Não há detalhe mais bonito do que a atenção". Achei lindo, sutil, doce... E acho que a gente deveria ter mais atenção uns com os outros. Outro conselho que gostaria de dar é que leiam mais. É de suma importância termos embasamento naquilo que pensamos e a leitura é o melhor caminho que conheço para a formação intelectual.

OBRIGADA IGOR QUERIDO, E OBRIGADA A TODOS QUE LEEM E SE INSPIRAM NESSA COLUNA, ASSIM COMO EU ME INSPIRO. 


PARA MAIS DO IGOR:




Até a próxima! 

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