CASA GUCCI

Nem toda boa história dá um bom filme.

"Casa Gucci" tem tudo para ser um estouro. Intrigas familiares, traições, looks incríveis, ótimas locações e um elenco conhecido e já estabelecido. Porém, o roteiro e a direção, em especial o ritmo e escolhas feitas pelo diretor Ridley Scott, retiraram a potência da obra, que, para mim, passará rápida pelos cinemas e memória dos telespectadores.




A história de Patrizia Reggiani que mandou matar seu marido, Maurizio Gucci, é conhecida. A premissa que está sendo vendida é essa. É, também, a única informação que eu tinha ao entrar na sala de cinema.

Ao final de cerca de duas horas e meia, o resultado foi um filme longo, com um início vagaroso que culminou num final rápido e confuso, reflexo de um roteiro claramente preguiçoso.

Guccio Gucci, na década de 20, era carregador de malas no Hotel Savoy em Londres, de onde tirou a ideia de produzir uma linha de malas de couro. Após a guerra, com a dificuldade do material, passou a usar outros, com o que desenvolveu sua linha de roupas. Já na década de 50, seus filhos expandiram a marca, levando-a à Nova York, e graças à celebridades como Jacqueline Kennedy, Grace Kelly e Clark Gable, que usavam produtos da marca, Gucci tornou-se sinônimo de sofisticação e riqueza. Todavia, também de muita confusão familiar, resultando em traições, e até assassinato.

O que se mostra terreno fértil para um bom filme, se perde em belíssimos vestidos e cenários, um filme longo, em que a maior parte do tempo parece justificar quem Patrizia era e por qual razão decidiu matar seu marido Maurizio, o que não fica muito claro. Talvez nunca se saberá o que de fato a motivou. O final abrupto salta elementos importantes e confunde fatos que com uma breve pesquisa são esclarecidos.

Alguns personagens e situações foram suprimidos, como de hábito em produções que retratam fatos reais. Porém, as datas foram parcamente indicadas, dificultando a localização dentro da história, que no filme, se passa em cerca de 20 anos, ao que a única coisa que envelhece é a peruca de Adam Driver.

Lady Gaga está bem no papel principal, e não há dúvidas de que se preparou bastante. Todavia, não sustenta a história sozinha, em que pese Al Pacino e Jared Leto tragam as nuances que se espera de uma história cheia de verdades, e muitas mentiras. Aliás, Jared Leto está irreconhecível no papel de Paolo Gucci, filho do Aldo Gucci de Al Pacino, em uma caracterização impressionante, enquanto Jeremy Irons traz a austeridade esperada de seu personagem Rodolfo Gucci. Destaque também para Salma Hayek em um papel pequeno, mas importante, ela que é casada com o CEO da atual empresa dona da marca Gucci.

Um filme de ficção, ainda que inspirado em fatos reais, não precisa ser documental. Porém, deve esclarecer os acontecimentos ao telespectador, e não confundi-lo, tampouco correr com a solução da própria trama que desenvolve por mais de 2 horas.

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