ENCONTROS (sobre o filme e outras reflexões)


“Encontros” é um filme que traduz nas telas o que venho há muito pensando sobre relacionamentos modernos.

O filme francês (adoro filme francês) conta a história de dois jovens, Rémi e Mélanie, um diferente do outro, ambos em busca de algo. Para além de um relacionamento romântico, estão procurando a si mesmos em um mundo em que estamos todos conectados, porém mais sozinhos do que nunca.

Logo nos primeiros minutos descobrimos que os dois são vizinhos, que se cruzam pelas ruas, mas que não se conhecem, sequer se viram. A montagem do filme colabora com essa sensação de proximidade e isolamento, sinais dos tempos em que vivemos.

O filme vai contando a história de ambos, como precisam encarar seus demônios, medos e inseguranças para poder se permitir viver de verdade, e com isso, encontrarem alguém com quem criar uma conexão verdadeira.

Como disse, o filme vai para além do amor romântico, pois fala mais do que isso. Fala de amor próprio, de viver sua verdade, sem medo, de se encarar e encarar aquilo que te limita, te segura.

Ambos têm medo de viver, cada um por seus motivos, por situações não resolvidas do passado que ainda assustam. Normal, afinal, todos temos bagagens, questões a serem trabalhadas em nós. Contudo, é somente quanto eles resolvem olhar para o espelho, para dentro deles mesmos, é que a roda começa a girar e a vida deles de fato a acontecer.


Como disse no começo, é um tema que venho pensando há muito tempo. Porque em tese, temos o mundo, literalmente, na palma das mãos. Podemos acessar qualquer um a qualquer tempo, e isso ao mesmo tempo em que causa uma suposta aproximação, afasta. Inverte as prioridades e dificulta uma real conexão. Já que tenho alguém de tão fácil acesso, não preciso me esforçar, seja para conhece-lo(a), seja para manter um relacionamento.

Por sinal, a sociedade líquida de Bauman nunca esteve tão líquida. E tão sozinha e infeliz. As doenças relacionadas à depressão e à ansiedade estão cada vez mais crescentes. E a busca em torno do “real” virou uma corrida em círculos, visto que não nos permitimos quebrar os padrões que nos impedem de sair da caverna, por assim dizer.

Então, paro para pensar, reflito sobre o mostrado no filme, e entendo que o único antídoto contra essa liquidez toda é a coragem. A coragem e a vulnerabilidade, a disposição para se permitir viver, conhecer pessoas e sair daquele cantinho quentinho, mas que nos mantêm presos ao conhecido e solitário espaço de nós. Digo nós porque me incluo nisso.

Todos os dias, luto para me permitir ser vulnerável, no sentido de me abrir para a vida, as possibilidades, e com isso conhecer pessoas, criar momentos e viver de verdade. Priorizando as pessoas, estando em contato comigo e com aqueles que me circundam. 

Afinal, se o agora é tudo o que temos, o que estamos esperando?

Ps. O nome original do filme é “Deux Moi” que quer dizer algo como “dois eus”, ou “dois inteiros”. É a perfeita tradução da mensagem que o filme passa :)

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