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OS TRÊS MOSQUETEIROS - D´ARTAGNAN - cinema em seu melhor

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Finalmente a França retomou uma narrativa que é sua e fez a melhor adaptação da obra prima de Alexandre Dumas em muitos anos com "Os Três Mosqueteiros" Parte 1 – D´artagnan". Com um elenco estelar que está bombando na França , temos François Civil (Amor à Segunda Vista; Encontros); Pio Marmai (Finalmente Livres, O Próximo Passo); Romain Duris (Como Arrasar um Coração; Esperando Bojangles), Louis Garrel (Os Sonhadores, Adoráveis Mulheres), Vicky Krieps (Trama Fantasma), além dos já consagrados Eva Green como Milady e Vincent Cassel como Athos. - Aliás, vi e recomendo todos os filmes citados. Um livro cheio de conspirações, reviravoltas e lutas merecia uma adaptação digna. Daí a divisão da história em 2 filmes. Neste primeiro, somos apresentados ao universo e seus personagens, além de toda a conspiração política por trás, sem dispensar a ação. Para além de espadachim virtuosos, Dumas retrata em sua obra uma luta religiosa que durou séculos, entre os católicos

CREED III

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Vamos tirar desde já o elefante da sala: apesar de ter feito boxe por 4 anos, nunca vi nenhum filme da franquia! Porém, isso não tirou o brilho desse filme ótimo, com belas atuações, uma trilha sonora potente (já quero ouvir em loop), um elenco afinado e um roteiro bom, apesar de previsível, que se sustenta muito bem independente dos filmes anteriores. A clássica jornada do herói aqui é misturada com uma jornada de autoconhecimento muito bem vinda. Creed, nosso protagonista, já aposentado e um marido e pai dedicado, é confrontado com Dame, um ótimo Jonathan Majors (e forte!), que traz com ele lembranças duras e um passado mal resolvido. É preciso lidar com nossos fantasmas, se não eles continuam voltando. Aqui, com muito boxe, uma filmagem belíssima e um ritmo todo especial. Michael B. Jordan está ótimo no papel principal, e ainda melhor na direção do filme, com cenas feitas especialmente para a telona. As lutas coreografadas além de excelentes, me deram vontade de retornar a esse espo

AS HISTÓRIAS DE MEU PAI

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As marcas da infância formam o adulto que seremos. Por vezes, causam traços tão profundos que só revisitando nossa porção criança conseguimos significar o que vivemos. Em "As Histórias de Meu Pai", o filme francês de Jean-Pirre Améris, um pai, ex-combatente de guerra, durante os embates entre a França e a Argélia nos anos 1960 coloca o filho em meio a seus devaneios de resistência que vão marcar a vida do filho e ter consequências indesejadas. O trauma do pai é muito bem retratado pelo ótimo Benoît Poelvoorde, que recorre à violência ao mesmo tempo em que demonstra dor e amor, tudo assim, junto e misturado. A mãe, complacente, interpretada pela ótima Audrey Dana, mostra a ternura e o amor daquela mulher que parece fraca, mas se fortalece nos pequenos detalhes, nos pequenos gestos de cuidado. O filme tem algumas cenas que apertaram meu coração, mas logo depois retratam toda a influência da guerra e da vida que vai aos poucos minando a sanidade de alguns. Senti ecos de "

'BATEM À PORTA" - Um filme que faz sentir

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Filme bom é aquele que faz sentir. Raiva, medo, sono, alegria, tristeza. Sentindo, tá valendo. E "Batem à Porta" faz sentir com maestria. M. Night Shyamalan tem ótimas ideias acima de tudo e algumas ótimas execuções. Alguns finais são controversos, mas em geral seus filmes prendem e entretêm e fogem do que estamos acostumados (um deleite para o cinéfilo). Aqui, do primeiro segundo ao letreiro ficamos presos na cadeira acompanhando a saga de uma família feita refém que precisa fazer uma escolha impossível: Matar um deles ou ver a humanidade acabar. As quatro pessoas que lhes impõem tal escolha são dúbias, nos atirando da crença à descrença com a mesma velocidade, deixando a sensação crescente de que não vai acabar bem. Numa espécie de dinâmica teatral, a história toda se passa numa cabana (alô "8 Odiados"), e os diálogos e atuações são incríveis em manter o suspense. A música certeira também ajuda. Desde o começo somos avisados do que vai acontecer e ainda assim ques

"Babilônia"

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Que viagem lisérgica deliciosa. Ri, me escondi, fiquei com nojo, raiva, tonta, e aproveitei essas três horas de viagem pela “old Hollywood”, a clássica do cinema mudo aos princípios da fala e música em cena, tropeçando em misoginia, racismo, etarismo e muito talento. O diretor Damien Chazelle, o mesmo de “Whiplash” e “La La Land” da literalmente um show e junto com o diretor de edição usam o filme como uma máquina do tempo de glamour, sem deixar de lado as críticas à própria indústria que glorificam. O filme segue a história de 3 personagens que se cruzam em alguns momentos, interpretados pelos maravilhosos Brad Pitt e Margot Robie e o novato Diego Calva , sendo pelos olhos dele que somos conduzidos. Uma mistura de “Cantando na Chuva” com os trabalhos anteriores do diretor, somos jogando sem cinto de segurança nessa história que já começa intensa – aliás, a primeira meia hora é para os fortes. Algumas decisões do diretor achei questionáveis, alguns momentos mais “pastelão”, m

"Garoto dos Céus" - um thriller delicioso sobre religião e poder

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Por vezes assisto um filme sem saber nada sobre ele. Vou descobrindo-o, pouco a pouco, como os desenhos em uma caverna rupestre. No caso de "Garoto dos Céus", que bela descoberta foi! O filme é o candidato da Suécia à uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional. Todavia, a história toda se passa no Cairo/Egito e é falado em árabe. Escrito e dirigido por Tarik Saleh que teve a ideia lendo "O Nome da Rosa" de Humberto Eco , conta a história de Adam, interpretado por Tawfeek Barhom, filho de um pescador que é selecionado para estudar na prestigiosa universidade Al-Azhar, epicentro do poder do islamismo sunita, no Cairo. O Grande Imã, maior autoridade religiosa do Egito, morre assim que Adam chega, e então começam os jogos de poder para sua substituição: enquanto os religiosos querem eleger o que consideram mais bem preparado, o governo militar tem ideias diferentes: quer colocar alguém que se alinhe aos seus ideais. A história com idas e vindas é permeada

OS FABELMANS - DE STEVEN SPIELBERG

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Em “Os Fabelmans” Steven Spielberg reconta traços de sua infância, da descoberta do cinema, às relações com seus familiares, sobretudo sua mãe. O filme é um passeio para dentro de seu mundo e um vislumbre à sua paixão pela sétima arte. Acompanhamos a primeira ida ao cinema, a compra da primeira câmera, as primeiras filmagens entre amigos e da família. Muito bem filmado como todos os filmes dele são, somos transportados para seu mundo infantil com a mesma pureza com que ele quer lembra-lo. A pureza das primeiras descobertas, o vislumbre do mundo por trás da lente da câmera. Seus pais, brilhantemente interpretados por Michelle Williams e Paul Dano , roubam a cena em diversos momentos, mostrando que uma família é composta de amor, mas de individualidades que por vezes se chocam. Destaque para Michelle, que para mim é a protagonista do filme. Parentes e amigos aparecem na história, ora dando conselhos profundos, ora servindo como alívios cômicos ou condutores das ações dos personag