"Babilônia"

janeiro 18, 2023

Que viagem lisérgica deliciosa.


Ri, me escondi, fiquei com nojo, raiva, tonta, e aproveitei essas três horas de viagem pela “old Hollywood”, a clássica do cinema mudo aos princípios da fala e música em cena, tropeçando em misoginia, racismo, etarismo e muito talento.


O diretor Damien Chazelle, o mesmo de “Whiplash” e “La La Land” da literalmente um show e junto com o diretor de edição usam o filme como uma máquina do tempo de glamour, sem deixar de lado as críticas à própria indústria que glorificam.


O filme segue a história de 3 personagens que se cruzam em alguns momentos, interpretados pelos maravilhosos Brad Pitt e Margot Robie e o novato Diego Calva, sendo pelos olhos dele que somos conduzidos.






Uma mistura de “Cantando na Chuva” com os trabalhos anteriores do diretor, somos jogando sem cinto de segurança nessa história que já começa intensa – aliás, a primeira meia hora é para os fortes.


Algumas decisões do diretor achei questionáveis, alguns momentos mais “pastelão”, mas que não fugiram da loucura que Damien quis retratar.


É como se dissesse “Hollywood é misógina, egoísta, etarista, cria e destrói talentos com a mesma rapidez, e ainda assim é o melhor lugar do mundo”.


Terminamos com uma sensação boa – e uma leve tontura, com seus cortes rápidos, suas cenas coloridas e plots que nunca sabemos para onde vão.


Se em “Os Fabelmans” achei que faltou ousadia, aqui tem de sobra.


Questiona, mas faz sentir. O cinema, afinal, está aí para isso, para fazer sentir.


Destaco as atuações de Brad e Margot, ambos perfeitos nos papeis que desempenham, que vão do êxtase à destruição. Retratos de muitos que passaram pelos mesmos caminhos. 


Jean Smart está fabulosa como sempre, e Toby Maguire parece uma versão pós apocalíptica do Homem Aranha. Li Jun Li também está soberba e muito sedutora.


O músico de jazz, interpretado por Jovan Adepo, também tem uma história muito forte – e triste. Ele olhando para a latinha com pó preto é de doer o coração.


Com cenas épicas, algumas esquecíveis, outras que parece ter saído de um delírio coletivo, Babilônia pode até não agradar a todos, mas não passará ilesa por quem assisti-lo.


O nome tem toda razão, o filme é uma Babilônia de sentimentos.



O filme chega aos cinemas de todo Brasil, em 19.01.

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